Declaração de Joinville

Declaração de Joinville

Os signatários desta declaração, conscienciosos da sua responsabilidade profissional, ética e de cidadania, e conhecedores das seguintes informações:

1. Dados incontestáveis que mostram que o acidente vascular cerebral,conhecido por muitos como “derrame”, é hoje a maior causa de mortes no Brasil;

2. Que boa parte dos sobreviventes de um acidente vascular cerebral (AVC) corre o risco de conviver com a dependência funcional, que restringe ou impede a execução de atividades do dia a dia e condena a uma menor participação do indivíduo na vida familiar e em sociedade;

3. Que o envelhecimento inexorável da população brasileira e o grande número de brasileiros que hoje convivem com a pressão alta, o diabetes, o hábito de fumar, o excesso de peso e outros fatores de risco apontam para um crescimento do impacto do AVC nas estatísticas de saúde do nosso país nos próximos anos;

4. Que evidências científicas também incontestáveis demonstram que intervenções específicas e bem conhecidas podem evitar mortes e incapacidade por AVC;

5. Que a intervenção conhecida como “unidade de AVC” de tal forma aumenta as chances de que uma vítima da doença deixe o hospital e volte para casa com condições de executar as suas tarefas e viver com independência, que muitos países definiram metas para que todos os seus cidadãos vitimados pelo AVC recebam este tipo de tratamento;

6. Que as unidades de AVC constituem o componente essencial e integrado de um cuidado continuado, que deve começar na prevenção muitos anos antes de uma pessoa sofrer a doença,

7. Que o cuidado continuado deve enfatizar estratégias para promover a reabilitação interdisciplinar daqueles com algum prejuízo funcional;

8. Que o cuidado continuado requer conhecimentos e sua disseminação, organização, treinamento, integração de esforços e iniciativas declaram:

1. Que o AVC deve ser considerado prioridade de saúde nacional;

2. Que, no que se refere aos pacientes que tiveram ou estão sob grande risco de apresentar um AVC, a construção de uma rede assistencial e de um cuidado continuado é a única estratégia que hoje permite garantir o “acesso universal e igualitário às ações e serviços para promoção, proteção e recuperação da saúde”, como prevê a Constituição Brasileira de 1988;

3. Que a construção desta rede assistencial de cuidado continuado deve ter início com o consenso e o comprometimento político de todos os agentes envolvidos: gestores do Sistema Único de Saúde a nível municipal, estadual e federal, profissionais de saúde; provedores de assistência à saúde, segmentos da sociedade organizada e toda a comunidade em geral;

4. Que a criação de unidades de AVC deve ser uma prioridade para todos os hospitais que cuidam desses pacientes;

5. Que sejam estabelecidos padrões nacionais de acreditação e de acompanhamento de indicadores de qualidade nas unidades de AVC criadas;

6. Que os pacientes tenham acesso à reabilitação interdisciplinar;

7. Que estratégias sejam delineadas para que cada unidade de AVC criada possa ser um pólo de educação para profissionais de saúde e membros da comunidade, com o objetivo de fomentar a criação de novas unidades de AVC;

8. Que a integração com as equipes de saúde da família deve ser o elemento chave para garantir a continuidade do cuidado, que começa na prevenção primária, com o controle dos fatores de risco, comuns a todas as doenças cardiovasculares, incluindo o infarto do miocárdio e a doença arterial periférica;

9. Que a incorporação de novas tecnologias e intervenções complexas e de alto custo deve ser feita de modo criterioso;

10.Que sejam fomentados estudos epidemiológicos para viabilizar os dados de incidência, mortalidade e letalidade;

11.Que este comprometimento político possa ser traduzido na prática como mecanismos sustentáveis de financiamento e estratégias claras para a implementação das propostas apresentadas.

Joinville, 20 de Outubro de 2007

VI Congresso Brasileiro de Doenças Cerebrovasculares

Declaração Joinville com Assinaturas